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Esta semana chega ao fim a novela Duas Caras. Quanta polêmica que Aguinaldo Silva provocou no início não?
Faz tempo que eu admiro Aguinaldo. Desde os tempos do Jornal LAMPIÃO.
Em Duas Caras ele foi buscar uma nova verdade para se ver em novela. Nos contou em detalhes a vida dura de uma população favelada que vive sobre o comando de um "REI". No caso da Portelinha ele se chamava Juvenal Antena.
Na Portelinha não existe vontade popular. Existe a vontade de Juvenal Antena. Ele tem certeza de que pode representar a população, falar e, mais do que isso, decidir por ela. Juvenal é o executivo, legislativo e o judiciário da Portelinha.
A Portelinha não existe, mas no Brasil não são poucos os Brasileiros que vivem sobre a tutela de seus "Juvenais Antena".
A novela falou de racismo de uma forma muito clara. E desta vez falava do preconceito dos brancos com os negros mas também dos negros com os brancos. A novela nos alertou mais uma vez que somos humanos e não branco, negros, pardos…
Nunca uma novela foi tão didática na questão da homosexualidade. Falou sobre tudo que se podia perguntar sobre o tema. Tratou de relação ativa e passiva por exemplo que em geral é um tabu neste debate.
Falou sobre família e sua nova composição. A relação de Dália, Heraldo e Bernadinho e a filha dos três é a tradução concreta que existe uma nova família que precisa ser debatida e entendida pela sociedade e pelas leis.